3/5/2026
Regressão Automatizada: o que considerar antes de partir para essa estratégia


Alan Voigt
Coordenador de Testes
8/5/2026
Em uma tradução livre, Built-in quality significa “Qualidade integrada” ou “Qualidade embutida”. Quando confrontamos a tradução com o conceito, vemos que faz todo o sentido. Built-in quality é um conjunto de práticas que garante que cada parte de uma determinada solução, em cada incremento, tenha determinados níveis de qualidade ao longo de todo o processo de desenvolvimento.
Mas como aplicar isso? Confira neste artigo!
Built-in quality é um termo muito utilizado dentro do contexto do SAFe® (Scaled Agile Framework®) e do Lean-Agile Mindset! Então quer dizer ele só pode ser aplicado se o projeto ou produto usar SAFe® ou Lean-Agile Mindset? Com certeza não! Neste artigo veremos que é possível tirar o melhor proveito do Built-in quality sem necessariamente seguir algum processo pré-determinado.
Testar isoladamente não melhora a qualidade de um software. Vamos imaginar que um sistema chegou na fase de testes e faremos todos aqueles que sejam possíveis. Provavelmente, vários erros serão encontrados, corrigidos e o software chega nas mãos do cliente para ser utilizado.
A primeira ideia que vem à mente é que o software terá uma qualidade invejável, considerando que ele foi submetido a uma bateria de testes intensa e que todos os bugs encontrados foram corrigidos. Ele pode, de fato, não ter erros, mas garantir que é um software de qualidade é equivocado. Mas por quê?
Como este software receberá novas implementações ao longo do tempo? Conseguimos abranger todas as partes do software com testes ou algumas ficaram de fora porque não foi possível testá-las? O software é de fato o que o cliente esperava? Uma manutenção neste software ou mesmo nos testes será fácil ou acarretará vários erros ou dificuldades? Esses são apenas alguns problemas que, possivelmente, o sistema possui e, por isso, não pode ser considerado um software de qualidade.
Quer saber como realmente construir um software de qualidade? Vamos lá!
O built-in quality é composto por cinco dimensões (utilizando o SAFe® 5 como referência): fluxo, qualidade de design e arquitetura, qualidade de código, qualidade de sistema e qualidade de release.

Todos concordamos que estabelecer um fluxo para qualquer coisa é extremamente importante, inclusive é um dos grandes pilares de sucesso do kanban. Mas onde o fluxo se encaixa no Built-in quality? Um fluxo saudável em um contexto de qualidade acaba removendo erros, reduzindo retrabalhos e desperdícios.
Para otimizar o fluxo algumas técnicas são aplicadas:
Parece mágica, não é? Mas ao aplicar essas técnicas, você consegue testar primeiro, garante que mudanças no software não introduzam novos erros e permite uma execução rápida…um fluxo!
“Ah, a qualidade do meu software é o suficiente”. Ouço muito essa afirmação, mas ela é 80% errada por quê? Se focarmos apenas na qualidade do sistema e deixarmos a qualidade de outras partes em segundo plano, a primeira dificilmente será alcançada em sua totalidade. Parece contraditório ou mesmo confuso, mas vou explicar.
Qualidade em arquitetura habilita que futuros requisitos sejam fáceis de serem implementados e, principalmente, mais fáceis de serem testados. Processos tradicionais que obrigam decisões antecipadas resultam em escolhas que diminuem o fluxo, causando retrabalhos. Precisamos ter em mente que requisitos evoluem e, automaticamente, o design também precisa evoluir.
Mas e aí, o que fazer?
A qualidade de código é um dos alicerces que precisam estar fortes pensando em qualidade. Imagine você dando manutenção em um código mal escrito? Imagine a quantidade de lixo e código inútil que um sistema inteiro pode conter? Um dos conceitos mais difundidos atualmente para combater estes problemas é o Clean Code que, de forma bem direta, se refere a um conjunto de boas práticas na escrita de software, difundida pelo querido “Uncle Bob”.
Porém o Built-in quality foca em alguns aspectos mais específicos que veremos a seguir:
Enquanto a qualidade do código e do design garantem que os artefatos do software possam ser facilmente compreendidos e alterados, a qualidade do sistema confirma que ele opera conforme o esperado. As últimas peças do quebra cabeça estão sendo postas à mesa para serem encaixadas. Todas as práticas anteriores obviamente melhoram, e muito, a qualidade do sistema, mas as práticas aqui apresentadas são mais exclusivas para este objetivo. Vamos lá:
É fato que, quanto mais rápido uma empresa consegue liberar versões no mercado ou em um ambiente específico para validação, mais rápido descobrimos se estamos entregando algum valor. Juntamente com isso, pequenas mudanças permitem releases mais rápidas, mais frequentes e com menos riscos.
Uma das principais práticas que habilita a qualidade na release é o Definition of Done (DoDs) escalável.
A seguir, temos cada um dos Definition of Done que o Built-in quality prega:
As práticas do Built-in quality são simples, porém muitas vezes o problema está em como implementá-las corretamente, ainda mais quando o SAFe® não é utilizado em sua totalidade. Neste caso os profissionais responsáveis pelo processo de qualidade precisam atuar, para que além da implementação das práticas também ocorra a coleta de métricas, acompanhamento efetivo e a disseminação das práticas.
A grande mágica é que no mundo da tecnologia não necessariamente existe o certo ou errado. O que existe é a habilidade de adotar determinadas tecnologias, processos e ferramentas em contextos específicos. Por isso, o profissional precisa conhecer as opções disponíveis e saber quando e onde aplicá-las.
Vamos implementar o Built-in quality no seu time?


Alan Voigt
Coordenador de Testes
Especialista em Engenharia de Qualidade, Alan compartilha sua experiência técnica em grandes projetos através dos conteúdos do Blog da Sofist.
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