3/5/2026
Regressão Automatizada: o que considerar antes de partir para essa estratégia


Bruno Abreu
Co-founder e CTO
8/5/2026
Estabelecer uma Cultura de Qualidade impulsiona a equipe a tratar erros e bugs como algo não natural.
Se você gerencia ou faz parte da equipe de desenvolvimento de algum produto digital, com certeza já deve ter ouvido alguma destas frases:
Encontrar problemas que atrapalham a experiência de uso em produtos digitais é tão frequente que pode ser considerado normal e até mesmo inevitável no cotidiano de um time de tecnologia. Porém essa não é uma questão trivial e pode colocar toda a sua estratégia em risco.Uma pesquisa da Acquia revelou que 63% dos consumidores, ao terem uma experiência online ruim com uma marca, a trocam por outra empresa. Ou seja, em uma realidade onde as expectativas dos consumidores crescem cada vez mais, não podemos ser coniventes com erros e problemas em produtos digitais.Essa é uma mentalidade que precisamos reforçar dentro de times de tecnologia. É nesse contexto que nasce a Cultura de Qualidade.Mas o que quer dizer essa cultura?
Antes de compreender a Cultura de Qualidade, precisamos contextualizar a palavra cultura. Ao utilizarmos o termo para tratar de um país, de uma sociedade ou civilização, incluímos normas, leis, práticas e vivências, correto?O mesmo ocorre com a cultura de uma empresa. A cultura organizacional inclui:
Muitas empresas, porém, não se preocupam em formar uma cultura e seguem apenas um ou dois dos fatores citados acima .Por exemplo, atualmente, a questão da sustentabilidade é um assunto cobrado pelos clientes. Existem inúmeras empresas no mercado que divulgam um perfil saudável, natural e sustentável, mas que, na prática, produzem muito plástico ou embalagens não-recicláveis.Ou seja, essas empresas possuem um discurso, com valores e até mesmo normas, mas não seguem uma conduta de sustentabilidade condizente com ele. O mesmo ocorre com a Cultura de Qualidade: alguns gestores até possuem práticas que visam eliminar bugs antes de uma aplicação ser lançada para o usuário (como a realização de testes no final da cadeia de desenvolvimento), mas, na prática, entregam um produto com a qualidade ok ou abaixo disso.Porém em um mundo onde as expectativas dos clientes se elevam a cada dia, as iniciativas de qualidade precisam ter uma profundidade maior e é aqui onde mora a importância da Cultura de Qualidade.O que podemos perceber é que dentro dessa cultura não existe um único time ou profissional encarregado de garantir a qualidade do produto. A mentalidade da empresa referente a esse assunto engloba a todos, desde o próprio profissional de Quality Assurance (QA), até o desenvolvedor, o PO/PM, o UX Designer, o Tech Lead, etc. Leia mais: Como integrar desenvolvedores e QAs no processo de desenvolvimento?Dessa maneira, todas as etapas, desde o desenvolvimento do software, são realizadas de forma a garantir uma qualidade crescente e integrativa.Resumidamente, a Cultura de Qualidade é um conjunto de normas, valores e condutas que representam a qualidade como parte intrínseca das estratégias e práticas do ciclo de desenvolvimento de software e que estão enraizadas na mentalidade de todas as pessoas que fazem parte desse processo.Quando uma empresa visualiza a qualidade como um insumo básico para a produção daquele bem ou serviço, ela se encontra em uma Cultura de Qualidade.
Hoje, uma empresa que não se preocupa com a qualidade não consegue desenvolver uma vantagem competitiva a longo prazo, mesmo que tenha apresentado um crescimento exponencial no início de sua operação. Não há possibilidade de manutenção de ganhos sem uma preocupação profunda com a qualidade.Observamos que algumas empresas até investem em processos de testes para a validação de produtos ou novas versões, mas, por vezes, ignoram os resultados desses testes, mandando para o ar produtos com bugs já identificados e que poderiam ser corrigidos, apenas para cumprir cronogramas de lançamento.Outro cenário é quando as empresas realizam apenas manutenções corretivas em suas aplicações, aquelas que ocorrem após erros terem sido encontrados (muitas vezes já em ambiente de produção), ao invés de focarem com mais intensidade na prevenção dos problemas antes que eles cheguem ao usuário final, evitando, assim, frustrações e experiências ruins.Esses comportamentos são um reflexo claro que a empresa não estabeleceu uma Cultura de Qualidade e não se esforçou para fazer essa transição em seu percurso de crescimento.O retorno negativo dessa conduta chega bastante rápido para produtos digitais. Afinal, temos um termômetro que potencializa as experiências negativas e insatisfações dos clientes e usuários. Isso pode ocorrer nas mídias sociais, nas avaliações em lojas de aplicativos e até mesmo em sites de reclamações.Sabemos o quanto as avaliações negativas e frustrações digitais podem desestimular um novo cliente a adquirir um produto/serviço da sua empresa.Desenvolver uma Cultura de Qualidade pode trazer, portanto, inúmeros benefícios para o seu negócio:
Primeiramente, é preciso entender: não é possível resolver a questão da qualidade do dia para a noite. Já vi muitos gestores acreditando que colocar um profissional de qualidade no final do processo, realizando testes e validando as entregas dos desenvolvedores, seria o suficiente.O problema dessa mentalidade é que, geralmente, ela está ligada a uma estratégia de curto prazo, que pode até resolver problemas pontuais, mas não vai agregar ao projeto o valor esperado. Isso pode acabar levando à descredibilização das iniciativas de qualidade, tornando difícil de defender, ao board da empresa, o porquê delas serem importantes, por exemplo.É claro que o profissional de qualidade e os testes são importantes. Mas, como dito acima, para essa cultura existir, a qualidade deve ser responsabilidade de todos os profissionais envolvidos no processo.Como alcançar isso? A Grace Libânio, nossa Head de Negócios, destacou três pontos bem relevantes em um artigo para o portal IT Fórum:Lidere pelo exemplo: Não é possível estabelecer uma Cultura de Qualidade sem gestores e líderes que comprem a ideia. Os membros e profissionais de uma empresa entendem o quão importantes são algumas condutas se elas forem consistentemente praticadas pelos seus líderes.Nada ensina mais do que o exemplo.Dissemine o propósito: Com a liderança abraçando a ideia, dissemine em seu time a importância do tema e explique como todos se integram dentro dessa nova cultura. Pode ser que haja resistência, mas trazer clareza sobre como todos podem ajudar dentro de suas respectivas responsabilidades vai tornar o processo mais fácil.Uma dica é dividir esse processo entre suas squads, por exemplo. Angela Riggs, engenheira de QA da Vacasa, relata que procura aplicar as mudanças primeiro em uma equipe , durante um mês, analisar os feedbacks e só então inserir outras equipes no projeto.Em seu artigo sobre Cultura de Qualidade, Riggs sintetiza muito bem como deve começar a mudança de mentalidade dentro de uma empresa:
“Certifique-se de que eles (equipe) se sintam informados e estejam confortáveis com a próxima mudança de ferramenta ou processo. As pessoas gostam de ser informadas e pessoas bem informadas podem tomar decisões melhores.”
Essas decisões carregarão a Cultura de Qualidade estabelecida.Repense sua estrutura: A criação dessa cultura pode exigir que fluxos de trabalho, processos e ferramentas sejam repensados e redesenhados para caberem nessa nova realidade, sempre com foco na qualidade final do produto desenvolvido e na melhor experiência para o usuário. Agregar novas skills ao time pode se mostrar necessário, assim como avançar em práticas e metodologias que trarão mais produtividade.Spoiler: Não será um processo rápido e revolucionário.O ideal é que você meça suas prioridades e tome passos de acordo com elas. No final do dia, você estará agregando um grande valor à sua empresa, pois essa cultura ajudará a prevenir problemas e oferecer melhores experiências ao usuário final.Quer saber como a Cultura de Qualidade é implementada na prática? Clique aqui e saiba como a Sofist ajudou a Delivery Center a implementar a Cultura de Qualidade.

Bruno Abreu
Co-founder e CTO
Bruno Abreu é CTO da Sofist e mestre em Ciência da Computação pela Unicamp. Palestrante experiente e autor, tem artigos publicados em Exame, IT Forum e The Shift. Apaixonado por liderança e operações, qualidade e testes de software, e cervejas artesanais. Pai de uma menina.
Aspecto
Outsourcing
tradicional
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Contratação ágil, execução e entrega de resultados
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Preserva a confidencialidade dos seus dados e software
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Elasticidade para lidar com oscilações de demandas de testes
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