3/5/2026
Regressão Automatizada: o que considerar antes de partir para essa estratégia


Bruno Abreu
Co-founder e CTO
8/5/2026
Os smartphones e aplicativos estão em toda parte e promovem facilidades que não eram possíveis há alguns anos. São incontáveis opções de apps que possibilitam serviços como pegar uma carona, receber a comida em casa, enviar e receber mensagens instantaneamente, entre muitas outras coisas que antes eram inimagináveis. Com essa demanda, crescem também os desafios no desenvolvimento de aplicativos.
Os 88% de brasileiros que hoje têm acesso à internet usam cerca de 249 milhões de smartphones, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, em 2023. Pode-se afirmar que os smartphones e seus aplicativos têm um impacto significativo na economia. Para se ter noção, em 2023, 15% das compras de giro rápido foram feitas exclusivamente por aplicativos de entrega e 59% delas usaram apps atrelados a outros canais, segundo dados do relatório apresentado na 48ª edição do Webshoppers, pela Ebit/Nielsen.
Neste cenário de crescimento, muitas empresas fazem dos aplicativos o seu principal negócio e meio de comunicação com o cliente. Mas, para criar um app, desenhar as funcionalidades, gerar um produto de qualidade e engajar o usuário, são necessárias muitas etapas, tempo e dedicação da equipe que o desenvolve. Para garantir o sucesso desse projeto digital, a preocupação com a qualidade deve acontecer até mesmo antes de sua concepção. Veja quais são os principais erros cometidos durante o processo de desenvolvimento de aplicativos:
É na fase das ideias (criação das funcionalidades e identidade do app) que deve ser definida a forma de interação do usuário com aquele produto. Geralmente, o PO (Product Owner, dono do produto, em português) é o responsável por pensar nessas funcionalidades e aplicações. No entanto, muitas vezes há falhas na comunicação entre o PO, que “desenhou” as ideias e o time de desenvolvimento, que irá fazer a programação. Por isso, nessa etapa inicial, é recomendável que haja um responsável por validar as ideias e cenários do aplicativo. O Quality Assurance (QA) é a figura que pode ajudar na validação do fluxo e na redução dos bugs antes mesmo da execução do software. Lembre-se: uma ideia mal implementada pode gerar problemas nas próximas etapas!

Se uma empresa desenvolve um app durante seis meses, por exemplo, e apenas depois de “pronto” resolve testá-lo, é muito grande a chance de encontrar erros difíceis de corrigir. Em alguns casos, gasta-se meses de retrabalho e muito atraso na entrega final. Por isso, a recomendação é que os testes aconteçam durante o desenvolvimento de aplicativos e que ocorram pequenas entregas funcionais do app para que seja possível validá-lo constantemente. Isso aumenta a chance de entregar o produto que deveria de fato ser entregue.
Há casos de empresas que começaram a desenvolver aplicativos alguns anos atrás e hoje estão tendo que, praticamente, refazê-lo. Isso porque, na época em que o app foi desenvolvido, não houve um planejamento ou preocupação com os testes.
No mundo dos apps, o desenvolvimento nunca acaba. Uber, Spotify e iFood são exemplos de produtos que estão sempre incluindo novas funcionalidades. Por essa razão, os testes são recomendados durante todas as etapas do processo.
Muitas vezes, os times ficam focados somente em fazer manutenção corretiva, ou seja, correr atrás de bugs que aparecem com o aplicativo já no ar. Isso ocorre porque, quando uma nova funcionalidade é inserida, pode acontecer de um outro item que estava funcionando apresentar falhas (por exemplo, ao inserir uma atualização do mapa do app, a área de cadastro passa a não funcionar corretamente).
Portanto, mesmo que uma empresa conte com um time para desenvolver novas funcionalidades, pode ser que a atenção dessa equipe esteja voltada somente para a correção dos bugs que surgiram já com o app disponível para o usuário final, o que impede o foco em evoluir o produto para gerar novas experiências aos usuários.
Na visão do usuário, o app pode parecer algo simples. Mas na verdade, quando consideramos todas as funcionalidades, ele pode se tornar algo muito complexo.
Vamos imaginar um aplicativo de entrega de comida, que oferece de 12 a 15 formas de pagamento, mais de 50 opções de adição, exclusão, montagem de pedidos, o aplicativo pode ter regras específicas para diferentes cidades (vamos supor que ele opere em 500 cidades diferentes). Quando pensamos na quantidade de fatores (milhares de possibilidades de fluxo, por exemplo) e multiplicamos isso por uma dezena de dispositivos, mesmo aplicando boas técnicas de priorização e automação de testes são milhares de fluxos que devem ser testados. É humanamente impossível avaliar todos esses fluxos com a agilidade necessária. Por isso, é essencial mapear quais são os mais relevantes e automatizar a execução desses testes.
A automatização é feita da seguinte forma: cria-se um robô, que pode ou não ser plugado a um Device Farm, um serviço com dezenas de aparelhos mobile conectados. Os aparelhos podem ser acessados remotamente para fazer testes que identificam problemas funcionais e de usabilidade nas jornadas de usuários. Se houver algum reporte de erro pelo robô, a equipe é avisada para que possa corrigir o erro.
Ao desenvolver um app, é necessário validar todo o processo (desde a concepção), inserir robôs para garantir a segurança durante a execução de tarefas repetitivas e usar o conhecimento humano da melhor maneira possível, validando as informações que o robô ainda não é capaz de validar. Este é um fluxo saudável no desenvolvimento de aplicativos.
O desenvolvimento de aplicativos de sucesso vai além da simples concepção de ideias e funcionalidades. Ele exige uma abordagem mais ampla e estratégica.
As falhas de comunicação na fase inicial, o adiamento dos testes até a finalização do produto, a fixação em correções de bugs para a evolução contínua do app, e a despriorização na automatização dos testes são erros comuns que podem comprometer seriamente a qualidade e a eficiência do aplicativo.
Portanto, é vital incorporar práticas de comunicação efetiva, testes contínuos, automação e uma mentalidade de melhoria contínua para garantir que o aplicativo não apenas atenda, mas também supere as expectativas dos usuários em um mercado cada vez mais competitivo.


Bruno Abreu
Co-founder e CTO
Bruno Abreu é CTO da Sofist e mestre em Ciência da Computação pela Unicamp. Palestrante experiente e autor, tem artigos publicados em Exame, IT Forum e The Shift. Apaixonado por liderança e operações, qualidade e testes de software, e cervejas artesanais. Pai de uma menina.
Aspecto
Outsourcing
tradicional
Crowd-testing
One Day Testing
Contratação ágil, execução e entrega de resultados
Ruim
Médio
Ótimo
Preserva a confidencialidade dos seus dados e software
Ótimo
Ruim
Ótimo
Teste as habilidades da equipe
Ótimo
Imprevisível
Ótimo
Controle sobre a execução do teste
Ótimo
Ruim
Ótimo
Comunicação entre o cliente e a equipe de teste
Ótimo
Ruim
Ótimo
Elasticidade para lidar com oscilações de demandas de testes
Ruim
Ótimo
Ótimo
Custos de aquisição e manutenção
Ruim
Médio
Ótimo