3/5/2026
Regressão Automatizada: o que considerar antes de partir para essa estratégia


André Iguera
Especialista de Inovação.
8/5/2026
Você consegue mensurar quantos aplicativos ou programas já desinstalou durante sua vida digital? E quantos deles foram desinstalados por causa de uma experiência ruim? Essa é uma das causas mais comuns da frustração digital, e a gestão de risco em qualidade de software pode minimizar esses números.
Há algum tempo, muitas empresas não investiam em qualidade de software antes de colocar um produto no mercado. Os testes eram realizados no final do processo, como uma breve etapa antes do lançamento.
Isso, evidentemente, resultava em consequências que variavam de leves a graves, impactando tanto as finanças da empresa quanto sua reputação. Com o tempo, essa abordagem tornou-se cada vez mais onerosa.
Segundo relatório de 2024 da AppsFlyer, mais de 1 a cada 2 aplicativos instalados são desinstalados dentro de 30 dias após o download. Em outras palavras, investimentos em projeto, estratégia e marketing precisam estar bem alinhados para demonstrar rapidamente valor suficiente para manter o app instalado.
Mas quais são as causas disso? Não são realizados testes suficientes para reduzir a taxa de desistência?
A gestão de risco em qualidade de software é essencial para priorizar testes com base nas possíveis consequências que determinadas falhas podem causar à marca. Isso permite categorizar os riscos conforme a urgência de resolução ou antecipação.
Neste artigo, você entenderá melhor o que é gestão de risco em qualidade e como implementá-la corretamente.
Vamos lá?

Todo risco está ligado a:
Por exemplo: por que utilizar patinetes motorizados na calçada é considerado arriscado? A resposta é simples: porque há casos frequentes de acidentes, e, nesses casos, pessoas se machucam.
Então temos:
Quanto mais graves forem as consequências e maior a probabilidade de o evento ocorrer, mais arriscada é a atividade, certo?
Essa analogia aplica-se a qualquer atividade, processo ou projeto. No mercado de tecnologia, a análise de risco está diretamente relacionada à qualidade e à satisfação do cliente com determinado produto ou serviço.
Considere um desenvolvedor projetando um aplicativo de internet banking. Quantas consequências preocupantes você consegue listar? Vamos pensar juntos:
E muito mais.
É impossível construir testes que verifiquem todos os possíveis erros, bugs e inadequações de um produto. Muitas falhas só poderão ser identificadas com o tempo de aplicação. O que fazer então para garantir a qualidade de um software?
Uma gestão de qualidade baseada em risco.
O gerenciamento de riscos é essencial porque, embora pareça simples, na teoria, identificar eventos, probabilidades e impactos, na prática isso exige estratégia e ferramentas eficazes.
A gama de riscos possíveis é extensa e é crucial compreender que:
Veja também: Por que gestão da qualidade é essencial na transformação digital.
Mas, antes de mais nada, você sabe quais são os riscos que podem impactar o planejamento e o desenvolvimento do seu projeto?
Os riscos para uma empresa costumam ser divididos em duas categorias:
São riscos que afetam diretamente o produto ou serviço, como:
Leia mais: Os impactos de falhas de segurança e problemas de performance em projetos digitais.
São riscos que atingem o planejamento e formulação do projeto, como, por exemplo:
No passado, o baixo investimento e a falta de preocupação com qualidade levavam as empresas a realizarem testes apenas no final do processo, pouco antes da entrega ao usuário.
Hoje, essa prática é considerada extremamente arriscada para a sustentabilidade de longo prazo de qualquer software ou produto digital. O ideal é que a gestão de risco, acompanhada de testes e planejamento, seja implementada em todas as etapas do processo, desde o início do projeto até os testes finais.
Como implementar a gestão de riscos?
Agora que você sabe o que é gestão de risco em qualidade e seus benefícios, vamos à prática.
Antes de começar, é importante instituir uma equipe de gerenciamento.
O primeiro passo é reunir todos os dados internos e externos que servirão de base para o projeto. Isso inclui estatísticas, informações sobre concorrentes, objetivos e metas.

Com os dados levantados, o próximo passo é identificar e avaliar os riscos do projeto. Nesta etapa, o gestor precisa identificar quais riscos têm maior probabilidade de ocorrer e quais possuem maior impacto sobre o planejamento e a aplicabilidade do projeto.
Com base na análise, é possível classificar os riscos em uma escala de 1 a 9, tanto para a probabilidade quanto para o impacto. Uma prática comum é multiplicar essas notas para criar uma lista de prioridades: quanto maior o resultado, maior a urgência de tratar o risco.
Uma forma eficaz de visualizar essa priorização é criar um gráfico de quatro quadrantes, onde o eixo X representa o impacto e o eixo Y a probabilidade do risco.

Com o gráfico em mãos, os gestores podem formular planos de ação para cada conjunto de riscos identificado.
Na gestão de risco em qualidade de software, os planos de ação podem ter os seguintes objetivos:
Os testes baseados em riscos devem ser realizados ao longo de todo o processo de desenvolvimento. Após mensurar, qualificar e priorizar os riscos, é importante validar, na prática, quais realmente ocorrem e em quais contextos.
A etapa de monitoramento é crucial para avaliar a eficácia dos planos de ação e os resultados dos testes realizados. Aqui, os gestores identificam quais estratégias foram bem-sucedidas e quais precisam ser ajustadas.
Durante o monitoramento, é comum que novos riscos sejam detectados. Quando isso ocorrer, os gestores devem retornar ao passo 3 para avaliar a urgência, impacto e prioridade desses novos riscos.
A última etapa é implementar as alterações identificadas durante o monitoramento, ajustando o planejamento para otimizar a aplicabilidade e a eficácia do projeto.
É importante ressaltar que esses passos não são uma sequência linear, mas um ciclo contínuo. A gestão de risco deve ser evolutiva, adaptando-se constantemente às mudanças e aprendizados do projeto.
Uma gestão de risco eficiente em qualidade de software permite identificar riscos potenciais e prováveis, priorizá-los e formular planos de ação específicos para cada um.
Essa abordagem assegura uma experiência superior para o usuário, otimiza o investimento de recursos financeiros e humanos, e reduz os custos relacionados à correção de problemas.
Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, adotar práticas consistentes de gestão de risco não é apenas uma vantagem, mas uma necessidade para empresas que buscam excelência em seus produtos e serviços.


André Iguera
Especialista de Inovação.
André Iguera hoje é Especialista de inovação na Sofist, onde já foi Tech Lead e liderou uma equipe de 40 pessoas, gerenciando projetos de testes funcionais, automatizados e de performance. Contribuiu para o sucesso em projetos envolvendo grandes parceiros como Magalu, Netshoes, Grupo Casas Bahia, iFood, Cia Hering, Arezzo&Co, Webmotors, entre outros.
Aspecto
Outsourcing
tradicional
Crowd-testing
One Day Testing
Contratação ágil, execução e entrega de resultados
Ruim
Médio
Ótimo
Preserva a confidencialidade dos seus dados e software
Ótimo
Ruim
Ótimo
Teste as habilidades da equipe
Ótimo
Imprevisível
Ótimo
Controle sobre a execução do teste
Ótimo
Ruim
Ótimo
Comunicação entre o cliente e a equipe de teste
Ótimo
Ruim
Ótimo
Elasticidade para lidar com oscilações de demandas de testes
Ruim
Ótimo
Ótimo
Custos de aquisição e manutenção
Ruim
Médio
Ótimo