7 passos da gestão de risco em qualidade de software

André Iguera

|

Especialista de Inovação.

Atualizado em:

8/5/2026

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Você consegue mensurar quantos aplicativos ou programas já desinstalou durante sua vida digital? E quantos deles foram desinstalados por causa de uma experiência ruim? Essa é uma das causas mais comuns da frustração digital, e a gestão de risco em qualidade de software pode minimizar esses números.

Há algum tempo, muitas empresas não investiam em qualidade de software antes de colocar um produto no mercado. Os testes eram realizados no final do processo, como uma breve etapa antes do lançamento.

Isso, evidentemente, resultava em consequências que variavam de leves a graves, impactando tanto as finanças da empresa quanto sua reputação. Com o tempo, essa abordagem tornou-se cada vez mais onerosa.

Segundo relatório de 2024 da AppsFlyer, mais de 1 a cada 2 aplicativos instalados são desinstalados dentro de 30 dias após o download. Em outras palavras, investimentos em projeto, estratégia e marketing precisam estar bem alinhados para demonstrar rapidamente valor suficiente para manter o app instalado.

Mas quais são as causas disso? Não são realizados testes suficientes para reduzir a taxa de desistência?

A gestão de risco em qualidade de software é essencial para priorizar testes com base nas possíveis consequências que determinadas falhas podem causar à marca. Isso permite categorizar os riscos conforme a urgência de resolução ou antecipação.

Neste artigo, você entenderá melhor o que é gestão de risco em qualidade e como implementá-la corretamente.

Vamos lá?

O que é gestão de risco?

Todo risco está ligado a:

  • Um evento;
  • A probabilidade de ele ocorrer;
  • Suas consequências.

Por exemplo: por que utilizar patinetes motorizados na calçada é considerado arriscado? A resposta é simples: porque há casos frequentes de acidentes, e, nesses casos, pessoas se machucam.

Então temos:

  • Evento: Andar de patinete na calçada;
  • Probabilidade: Chance de algo dar errado;
  • Consequências: O que pode acontecer se algo der errado.

Quanto mais graves forem as consequências e maior a probabilidade de o evento ocorrer, mais arriscada é a atividade, certo?

Essa analogia aplica-se a qualquer atividade, processo ou projeto. No mercado de tecnologia, a análise de risco está diretamente relacionada à qualidade e à satisfação do cliente com determinado produto ou serviço.

Considere um desenvolvedor projetando um aplicativo de internet banking. Quantas consequências preocupantes você consegue listar? Vamos pensar juntos:

  • O aplicativo pode ser hackeado, expondo informações dos clientes;
  • Um erro pode gerar débitos ou créditos duplicados;
  • Um bug no pagamento pode atrasar a ação e gerar juros para o pagador.

E muito mais.

É impossível construir testes que verifiquem todos os possíveis erros, bugs e inadequações de um produto. Muitas falhas só poderão ser identificadas com o tempo de aplicação. O que fazer então para garantir a qualidade de um software?

Uma gestão de qualidade baseada em risco. 

O gerenciamento de riscos é essencial porque, embora pareça simples, na teoria, identificar eventos, probabilidades e impactos, na prática isso exige estratégia e ferramentas eficazes.

A gama de riscos possíveis é extensa e é crucial compreender que:

  • Existem riscos que você conhece;
  • Existem riscos que você sabe que não pode prever;
  • Existem riscos que você nem sequer sabe que existem.

Veja também: Por que gestão da qualidade é essencial na transformação digital.

Mas, antes de mais nada, você sabe quais são os riscos que podem impactar o planejamento e o desenvolvimento do seu projeto?

Gestão de risco em qualidade de software

Os riscos para uma empresa costumam ser divididos em duas categorias:

  1. Riscos do Produto

São riscos que afetam diretamente o produto ou serviço, como:

  • Problemas de segurança, funcionalidade ou desempenho;
  • Bugs;
  • Incapacidade de cumprir as soluções prometidas.

Leia mais: Os impactos de falhas de segurança e problemas de performance em projetos digitais.

  1. Riscos do Projeto

São riscos que atingem o planejamento e formulação do projeto, como, por exemplo:

  • Técnicos: infraestrutura inadequada, código inviável, requisitos mal definidos;
  • Logísticos: problemas com fornecedores, prazos ou condições de trabalho;
  • Internos: falta de capacitação, pessoal insuficiente ou comunicação ineficiente entre equipes.

Objetivos e benefícios da gestão de risco em qualidade de software

  • Identificar riscos conhecidos e desconhecidos;
  • Proteger a empresa contra ameaças e incertezas;
  • Promover a melhoria contínua em produtos, serviços e projetos;
  • Garantir uma boa experiência ao usuário e o sucesso do cliente;
  • Construir uma reputação positiva para a qualidade dos produtos e serviços;
  • Facilitar a tomada de decisões;
  • Guiar a escolha de ferramentas e estratégias.

Quando fazer a gestão de risco em qualidade de software?

No passado, o baixo investimento e a falta de preocupação com qualidade levavam as empresas a realizarem testes apenas no final do processo, pouco antes da entrega ao usuário.

Hoje, essa prática é considerada extremamente arriscada para a sustentabilidade de longo prazo de qualquer software ou produto digital. O ideal é que a gestão de risco, acompanhada de testes e planejamento, seja implementada em todas as etapas do processo, desde o início do projeto até os testes finais.

Como implementar a gestão de riscos?

Agora que você sabe o que é gestão de risco em qualidade e seus benefícios, vamos à prática.

Antes de começar, é importante instituir uma equipe de gerenciamento.

1. Levantamento de dados

O primeiro passo é reunir todos os dados internos e externos que servirão de base para o projeto. Isso inclui estatísticas, informações sobre concorrentes, objetivos e metas.

2 - Análise de riscos

Com os dados levantados, o próximo passo é identificar e avaliar os riscos do projeto. Nesta etapa, o gestor precisa identificar quais riscos têm maior probabilidade de ocorrer e quais possuem maior impacto sobre o planejamento e a aplicabilidade do projeto.

3 - Mensurar a urgência e as consequências 

Com base na análise, é possível classificar os riscos em uma escala de 1 a 9, tanto para a probabilidade quanto para o impacto. Uma prática comum é multiplicar essas notas para criar uma lista de prioridades: quanto maior o resultado, maior a urgência de tratar o risco.

Uma forma eficaz de visualizar essa priorização é criar um gráfico de quatro quadrantes, onde o eixo X representa o impacto e o eixo Y a probabilidade do risco.

4 - Elaborar plano de ação

Com o gráfico em mãos, os gestores podem formular planos de ação para cada conjunto de riscos identificado.

Na gestão de risco em qualidade de software, os planos de ação podem ter os seguintes objetivos:

  • Evitar os riscos: Riscos com alta probabilidade e grande impacto devem ser evitados por meio de alterações no planejamento do projeto.
  • Exemplo: Se um software está sendo desenvolvido com o suporte de uma equipe terceirizada que já demonstrou atrasos, o risco de problemas com prazos é alto e o impacto pode ser significativo. O plano de ação pode incluir a contratação de uma nova equipe ou a revisão dos contratos, com cláusulas mais rígidas em relação a prazos.
  • Minimizar probabilidades e impactos: Nesse caso, a equipe de planejamento deve buscar ferramentas, artifícios ou processos que reduzam a chance de um problema ocorrer. Além disso, pode-se criar soluções preventivas para mitigar o impacto caso ele aconteça.
  • Aceitar ou delegar os riscos: Alguns riscos não podem ser evitados ou minimizados devido a limitações de infraestrutura ou capacidade. Nesse caso, os gestores podem optar por aceitá-los, especialmente quando estão nos quadrantes de menor impacto e probabilidade (baixo impacto x baixa probabilidade ou alto impacto x baixa probabilidade).
  • Em situações específicas, pode ser mais estratégico delegar a responsabilidade para uma equipe interna ou externa mais capacitada para gerenciá-los.

5 - Realizar testes

Os testes baseados em riscos devem ser realizados ao longo de todo o processo de desenvolvimento. Após mensurar, qualificar e priorizar os riscos, é importante validar, na prática, quais realmente ocorrem e em quais contextos.

6 - Monitoramento

A etapa de monitoramento é crucial para avaliar a eficácia dos planos de ação e os resultados dos testes realizados. Aqui, os gestores identificam quais estratégias foram bem-sucedidas e quais precisam ser ajustadas.

Durante o monitoramento, é comum que novos riscos sejam detectados. Quando isso ocorrer, os gestores devem retornar ao passo 3 para avaliar a urgência, impacto e prioridade desses novos riscos.

7 - Fazer as devidas adequações

A última etapa é implementar as alterações identificadas durante o monitoramento, ajustando o planejamento para otimizar a aplicabilidade e a eficácia do projeto.

É importante ressaltar que esses passos não são uma sequência linear, mas um ciclo contínuo. A gestão de risco deve ser evolutiva, adaptando-se constantemente às mudanças e aprendizados do projeto.

Conclusão

Uma gestão de risco eficiente em qualidade de software permite identificar riscos potenciais e prováveis, priorizá-los e formular planos de ação específicos para cada um.

Essa abordagem assegura uma experiência superior para o usuário, otimiza o investimento de recursos financeiros e humanos, e reduz os custos relacionados à correção de problemas.

Em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, adotar práticas consistentes de gestão de risco não é apenas uma vantagem, mas uma necessidade para empresas que buscam excelência em seus produtos e serviços.

7 passos da gestão de risco em qualidade de software

André Iguera

|

Especialista de Inovação.

André Iguera hoje é Especialista de inovação na Sofist, onde já foi Tech Lead e liderou uma equipe de 40 pessoas, gerenciando projetos de testes funcionais, automatizados e de performance. Contribuiu para o sucesso em projetos envolvendo grandes parceiros como Magalu, Netshoes, Grupo Casas Bahia, iFood, Cia Hering, Arezzo&Co, Webmotors, entre outros.

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