3/5/2026
Regressão Automatizada: o que considerar antes de partir para essa estratégia


Bruno Abreu
Co-founder e CTO
8/5/2026
A transformação digital deixou de ser um diferencial e se tornou essencial para as empresas que buscam competitividade e inovação. A Inteligência Artificial (IA) em QA é uma grande aliada nessa jornada, agregando valor e otimizando processos em toda a organização, independentemente do setor. O que era algo exclusivo da área da tecnologia, agora é parte integrante nos negócios, sendo responsável pelo aumento da eficiência operacional, da produtividade dos colaboradores e da economia de recursos.
Para os próximos anos, teremos um crescimento exponencial da IA no mercado, como indica a pesquisa realizada pela MarketsandMarkets, que prevê que a inteligência artificial cresça a uma taxa anual composta (CAGR) de 36,2% nos próximos três anos, saindo de US$ 86,9 bilhões de dólares em 2022 para a marca de US$ 407 bilhões em 2027.
Com este cenário promissor, as lideranças precisam se preparar para investir estrategicamente nesta tecnologia para conseguirem destaque no mercado. Prova disso é que 59% das empresas de alto desempenho afirmam possuir um roadmap robusto de implementação da IA Generativa para agregar valor e viabilizar os projetos, como afirma um estudo global da McKinsey.
O aumento no investimento em IA é decorrente do reconhecimento da eficiência da tecnologia, especialmente para a solução de problemas. No entanto, antes de implementá-la, surge uma questão fundamental: as organizações realmente sabem quais são os problemas que precisam ser resolvidos?
Esse é um questionamento muito comum dentro da área da qualidade de software. Os profissionais deste setor são treinados para pensar estrategicamente em cada etapa do projeto, assegurando o melhor desempenho possível ao final do ciclo de desenvolvimento. Ser exigente e criterioso é uma marca registrada do QA, afinal, quando se trabalha garantindo a excelência, não dá para se contentar com qualquer resultado.
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A busca pela qualidade deve ser uma mentalidade compartilhada por toda a empresa, especialmente no contexto da inteligência artificial. Em vez de ser vista como uma ferramenta para substituir o pensamento lógico, a IA deve ser aproveitada para potencializar as habilidades humanas e elevar o nível dos resultados em todas as áreas. Mas, para chegar a esse patamar, é preciso promover um aculturamento dos colaboradores e realizar uma implementação gradual da solução.
Um erro comum entre as empresas que iniciam sua jornada com IA é tentar implementar soluções complexas sem considerar os problemas fundamentais existentes. É crucial que as organizações entendam que a implementação de IA não precisa ser grandiosa desde o início. Em vez de apostar em soluções abrangentes e sofisticadas, o caminho mais eficaz está em identificar os pontos críticos e aplicar IA de forma estratégica e gradual.

Antes de implementar uma nova ferramenta, é preciso mapear as áreas onde ela pode gerar valor imediato para evitar decepções e um ROI abaixo do esperado. Esse é um processo básico da área de QA, afinal, não existe solução se você não souber qual é o problema.
Quando as equipes identificam a causa central da adversidade, torna-se mais fácil desenvolver novas estratégias para superá-la, integrando a IA no processo para otimizar o tempo e reduzir custos.
Para uma implementação bem-sucedida, o ideal é começar pelas aplicações mais simples da solução, abordando questões básicas. Isso permite que tanto a IA quanto os profissionais se adaptem gradualmente e aprendam a trabalhar em sintonia com os novos processos. Essa abordagem progressiva é essencial para capacitar a equipe, garantir resultados consistentes e minimizar tanto a resistência à tecnologia quanto os erros comuns em implantações aceleradas.
Como entusiastas da tecnologia, é fundamental que os profissionais de QA sejam estratégicos e defendam a utilização de novas ferramentas para otimizar seu trabalho, desde que a qualidade seja o pilar principal.
Assim, um setor que, anteriormente, era conhecido apenas por executar testes e identificar falhas em potencial, agora é essencial para impulsionar o uso de novas soluções por todo o negócio, inclusive no cotidiano dos colaboradores de outras áreas.
Para além da TI, a área de qualidade de software começou a ser intrínseca ao negócio, servindo como exemplo de boas práticas para o uso consciente da IA. No dia a dia do QA, a inteligência artificial atua como um advisor, apoiando na realização de atividades manuais e repetitivas como analisar grandes volumes de dados, gerar relatórios e sugerir novos caminhos e ações. Assim, os colaboradores podem redirecionar sua energia para atividades mais cognitivas, como o desenvolvimento de estratégias e a tomada de decisões.
A valorização das atividades cognitivas permite que o profissional trabalhe habilidades para além da parte técnica, incitando o amadurecimento do pensamento crítico, o desenvolvimento de soft skills e da capacidade de liderança. Além disso, com a otimização e agilidade dos processos, os profissionais podem utilizar esse tempo para trabalhar em projetos interdisciplinares com as outras áreas da empresa, aumentando a integração entre os times e o espaço para troca de insights, abrindo as portas para a inovação.
Para os profissionais de QA, essa reflexão é crucial. A inovação é uma faca de dois gumes: pode servir como aliada para impulsionar os negócios e aprimorar as habilidades, ou pode se tornar uma dependência excessiva, comprometendo o desempenho dos projetos e o trabalho dos colaboradores.
O QA exerce um papel importante na conscientização sobre uma abordagem inteligente e responsável da IA como aliada no processo de desenvolvimento. Investir no aculturamento adequado, na capacitação contínua e na busca por excelência são passos essenciais para que os profissionais continuem sendo protagonistas em um cenário onde a tecnologia evolui rapidamente.


Bruno Abreu
Co-founder e CTO
Bruno Abreu é CTO da Sofist e mestre em Ciência da Computação pela Unicamp. Palestrante experiente e autor, tem artigos publicados em Exame, IT Forum e The Shift. Apaixonado por liderança e operações, qualidade e testes de software, e cervejas artesanais. Pai de uma menina.
Aspecto
Outsourcing
tradicional
Crowd-testing
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Contratação ágil, execução e entrega de resultados
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Médio
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Preserva a confidencialidade dos seus dados e software
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Custos de aquisição e manutenção
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