3/5/2026
Regressão Automatizada: o que considerar antes de partir para essa estratégia


Matheus Franco
Analista de Growth
8/5/2026
Quando o assunto é segurança, os usuários estão sempre elaborando estratégias para proteger suas informações pessoais e, principalmente, seu dinheiro. Antigamente, era muito comum ouvir falar sobre a “carteira do ladrão”, que carregava apenas uma pequena quantia de dinheiro, sem documentos ou dados pessoais. Hoje, essa alternativa migrou para o "celular do ladrão", o aparelho, que apesar de mais novo, não carrega os principais apps financeiros. Isso fica em um telefone mais antigo, em casa. Porém, como preservar a usabilidade dos aplicativos bancários?
Os tempos mudaram e essa estratégia de segurança precisou ser atualizada. Agora, o item mais valioso para os assaltos são os smartphones, que contém todas as informações pessoais e, principalmente, dados bancários. A carteira falsa evoluiu para o “celular do ladrão”, um aparelho normal - às vezes até de última geração -, que é usado para os fins convencionais (redes sociais, tirar fotos, fazer ligações, instalar jogos, etc.).
Para proteger seus dados pessoais e seu dinheiro, os usuários criam uma conta em um banco digital e instalam o aplicativo neste aparelho. Nessa conta, eles deixam uma quantidade razoável de dinheiro para utilizar durante o dia. Enquanto isso, em suas casas, há um segundo celular - geralmente mais antigo que o principal -, onde estão instalados os aplicativos dos bancos principais com a reserva de dinheiro.
A ideia de ter dois smartphones com funcionalidades diferentes ou mesmo para uso pessoal não é algo novo. Segundo dados da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), em abril de 2023, o Brasil tinha cerca de 251,1 milhões de celulares em atividade. Enquanto, de acordo com o IBGE, a população brasileira neste mesmo ano era de aproximadamente 203 milhões de pessoas. Ou seja, 48,1 milhões de aparelhos a mais do que a população do país.

Trazendo para a perspectiva dos bancos, o aumento do número de aparelhos por pessoa dificulta o trabalho de desenvolvimento dos aplicativos bancários com funcionalidades mais amigáveis. As instituições financeiras precisam adaptar suas interfaces para que elas sejam compatíveis e funcionais para os sistemas Android e iOS dos mais diversos modelos de smartphones.
Segundo dados publicados pelo Google na Android Platform, ferramenta voltada a desenvolvedores, em outubro de 2023, 40,2% das pessoas ainda utilizam o Android na versão 10 - lançada em novembro de 2019 - ou inferior. Ou seja, grande parte dos usuários usam celulares com versões que foram disponibilizadas há mais de cinco anos.
Se já existe a dificuldade de conciliar o aplicativo com os celulares mais novos de diferentes marcas, imagine o quão difícil é garantir a usabilidade dos aplicativos bancários em aparelhos mais antigos, que não conseguem comportar as atualizações mais recentes. E, com o passar dos anos, esse desafio aumenta porque muitas pessoas não se desfazem dos seus telefones anteriores.
Um aplicativo que pede atualizações frequentes e conta com muitas funcionalidades se torna, automaticamente, mais pesado, e nem todos os modelos de smartphones estão preparados para suportar sistemas tão robustos. Os desenvolvedores precisam levar em consideração a realidade dos usuários antes de pensar em implementar soluções de ponta nas aplicações. É preciso conhecer seu cliente para traçar uma estratégia assertiva que garanta uma experiência de utilização, no mínimo, satisfatória.
Com o mercado financeiro cada vez mais competitivo, e novas fintechs surgindo a todo momento, ter um aplicativo lento e pouco funcional é um risco para as empresas do setor. Ninguém quer perder segundos esperando uma tela carregar e, sendo assim, a agilidade é fundamental para evitar que os usuários troquem de banco e passem a realizar suas transações através de alguma fintech, por exemplo, que realiza o Pix de uma forma mais ágil. Se o banco não realiza a maior parte das transações do usuário, ele perde espaço para a concorrência.
Durante o desenvolvimento das interfaces, é muito comum as empresas darem prioridade para o Mobile First, para que a plataforma se adapte melhor ao formato de tela e processamento dos celulares. Mas, no caso das instituições bancárias, entra na discussão o conceito de Old First, que consiste em priorizar a criação de aplicativos que sejam compatíveis com diversos sistemas e que funcionem de maneira efetiva nos aparelhos antigos e novos.
Se a maior parte dos clientes instala o aplicativo do banco em um aparelho de 4 ou 5 anos de vida útil, que não recebe as atualizações mais recentes, não importa o quão inovadora seja a plataforma, eles não vão conseguir utilizar. Ou até podem conseguir, mas ela vai rodar com lentidão, baixa qualidade e, provavelmente, nem todas as funcionalidades estarão disponíveis.
Grandes players do mercado digital como Facebook, Tik Tok e Spotify já lançaram mão da estratégia de ter uma versão Lite de seus apps, que são apps mais leves e rodam melhor em aparelhos mais antigos.
Essas versões exigem menos do hardware e do software dos celulares e não consomem tantos recursos (bateria e memória, por exemplo), mesmo assim são capazes de oferecer as funções básicas do modelo original. Porém, para os bancos, que lidam com uma enorme quantidade de dados sensíveis e uma grande rotatividade de dinheiro, não acredito que seja a melhor saída. Afinal, duas interfaces significam duas vezes mais tempo e recursos para manutenção.
A verdade é que não existe apenas uma resposta para equilibrar as atualizações mais recentes com os sistemas dos celulares mais antigos e preservar a usabilidade dos aplicativos bancários. Mas o primeiro passo para sair desse cenário é conhecer seus clientes. Faça um mapeamento demográfico para saber quais são os sistemas mais utilizados, em quantos smartphones eles acessam suas contas, em qual região predomina o uso de determinado aparelho, etc.
Assim, você pode filtrar e experimentar atualizações ou funcionalidades próprias para uma parte do seu público. Além disso, esse é o momento ideal para os bancos serem criativos e estarem antenados às tendências do mercado para criar aplicações que utilizem cada vez menos recursos.
Tecnologias como inteligência artificial, analytics, prototipação e, principalmente, a jornada cloud são a chave para desenvolver uma plataforma mais leve, ágil, flexível e que atenda as necessidades dos clientes de maneira rápida. Implementar mudanças nunca é algo simples, e alternativas como o “celular do ladrão” nunca deixarão de existir, cabe às instituições bancárias estarem preparadas para atender e proporcionar uma boa experiência aos seus usuários independente do canal em que eles estejam.


Matheus Franco
Analista de Growth
Especialista em Growth Marketing, Matheus compartilha sua experiência técnica em grandes projetos voltados à Qualidade através dos conteúdos do Blog da Sofist.
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