3/5/2026
Regressão Automatizada: o que considerar antes de partir para essa estratégia


Alan Voigt
Coordenador de Testes
8/5/2026
Em tempos de transformação digital, automatizar testes no desenvolvimento de software pode parecer uma necessidade para as empresas, em detrimento dos testes manuais (ou humanos). Afinal, por que não adotar a tecnologia para otimizar o trabalho das equipes, reduzir as chances de erros e aumentar a velocidade das entregas?
Segundo o State of Testing Report 2024, apenas 2% das organizações substituíram os testes manuais totalmente por testes automatizados. A pesquisa mostra, também, que 9% das empresas questionadas não possuem automação.
Essa combinação entre testes manuais e automatizados pode acontecer por diferentes motivos, que vamos investigar neste artigo. Pode ser que a empresa esteja em uma fase de transição, em que os processos estão sendo digitalizados. Mas também pode ser uma questão de custos, já que a automação exige investimentos, ou simplesmente uma opção da equipe, conforme o projeto que precisa atender.
A seguir, então, vamos explicar melhor em quais casos o ideal é adotar testes de software automatizados ou manuais - e porque a integração entre essas duas técnicas é fundamental.
Testes são automatizados quando se utilizam de código para investigar sistemas de maneira contínua e sem a necessidade da intervenção frequente de um ser humano. Assim, eles permitem identificar falhas e melhorar a experiência que entregam ao usuário através da evolução do produto. Esses códigos, chamados de scripts de teste, permitem que um conjunto de testes seja realizado facilmente várias vezes, com maior velocidade de entrega em relação aos testes realizados manualmente.

A automação de testes pode gerar um excelente retorno sobre investimento (ROI). Embora exijam um investimento inicial maior que os testes manuais (para treinamento da equipe ou contratação de parceiros, por exemplo), o retorno financeiro pode ser mais vantajoso no longo prazo.
Em relação aos testes manuais, a automação é capaz de rodar muito mais testes por hora que os humanos. Pense assim: funcionários estão limitados ao horário de expediente, por exemplo; já os sistemas podem ser configurados para funcionar a qualquer hora.
Portanto, os benefícios têm a ver com redução de falhas, otimização de recursos e velocidade das entregas. Se há cada vez mais exigência no mercado por qualidade e agilidade, os testes automatizados podem significar uma vantagem competitiva para as empresas.
Testes manuais são realizados por um ou mais profissionais especializados de uma equipe de QA (Quality Assurance). Embora os métodos sejam diferentes, os objetivos são os mesmos dos testes automatizados: encontrar possíveis falhas e garantir o desempenho do sistema.
Então, se a automação traz tantos benefícios e atinge os mesmos objetivos, por que os testes manuais ainda não foram totalmente automatizados?
Pode-se dizer que, mesmo com o avanço das técnicas de testes automatizados e do valor que o método vem provando no mercado recentemente, testes manuais ainda são muito importantes. Basicamente, eles fazem aquilo que as máquinas não podem fazer (ou, pelo menos, não com a mesma eficiência que o olhar humano).
Para avaliar usabilidade e layout, por exemplo, testes manuais geralmente são a única alternativa. Muitas vezes é preciso testar um aplicativo em situações reais, como o seu uso sem sinal de internet ou enquanto o usuário está dirigindo, por exemplo. Nesses casos, as capacidades subjetivas do ser humano não podem ser substituídas pela máquina.
Além disso, adotar a automação de testes exige transformações em uma empresa. Ela precisa fazer investimentos, treinar equipes (ou contratar novos desenvolvedores) e adotar novos processos. A falta de recursos, de tempo e de habilidades para isso, além da resistência à mudança, também podem ser motivos para continuar com os testes manuais.
A Oracle é um dos exemplos de empresa que combina os dois métodos na sua gestão de qualidade. Em dados momentos do processo, a equipe adota testes manuais e, em outros, prefere automatizar as ações.
Portanto, os testes manuais não devem ser descartados no processo de automação do controle de qualidade, mesmo em empresas que adotam as metodologias ágeis. Cada método traz suas vantagens e desvantagens, de acordo com o momento da empresa e o que precisa ser avaliado.
Enquanto a automação traz mais agilidade, mais testes por hora, resultados mais confiáveis e um ROI mais vantajoso, os testes manuais consistem em uma análise mais profunda e subjetiva, com resultados qualitativos, que as máquinas não são capazes de gerar.
Portanto, combinar testes automatizados e testes manuais é o caminho que as equipes de QA estão adotando, de maneira estratégica para obter resultados melhores e mais precisos. Dessa forma, é possível cobrir a análise das aplicações com mais precisão e profundidade e garantir que a entrega seja positiva para o usuário.


Alan Voigt
Coordenador de Testes
Especialista em Engenharia de Qualidade, Alan compartilha sua experiência técnica em grandes projetos através dos conteúdos do Blog da Sofist.
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